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junho 13, 2005


As Razões do Iraque


Autor: Francisco José da Silva Galamas - Idioma: - Data: 26/01/05


As Razões do Iraque

Apesar de o tema já não ser actual, penso que só com alguma distância no tempo é que se pode analisar de uma maneira correcta as questões históricas e políticas mais complexas, como o caso da invasão do Iraque pela coligação liderada pelos EUA em 2003.

Muita gente, principalmente alguns “supostos” analistas, são da opinião de que a invasão do Iraque só se deve a duas razões: direitos humanos e petróleo. Estas são duas questões com enorme relevância na política internacional de hoje em dia, embora na minha opinião essas questões ou não têm nada a ver com a invasão (como o caso dos direitos humanos) ou então têm, mas ainda ninguém revelou a sua verdadeira dimensão, como o caso da questão do petróleo.

Não pretendo de nenhuma maneira dizer se a invasão do Iraque foi boa ou não, não é esse o meu papel, o meu objectivo é simplesmente dar a minha interpretação dos acontecimentos, deixando para o leitor juízos morais ou legais desta invasão.

Primeiro para analisar a invasão do Iraque, tem que se ter um mapa por perto, de preferência um, que abranja a região que vai desde o Mar Cáspio até à Arábia Saudita.

Se analisarmos cuidadosamente esta região, percebe-se facilmente que estamos perante a zona mais “quente” do planeta em questões de política internacional, a começar pela zona do Cáspio, a Norte do Iraque, riquissíma em petróleo e gás natural, mas também rica em convulsões políticas em países como a Geórgia, Arménia ou Azerbeijão, sendo estes assaltados constantemente por convulsões políticas e com disputas devido a pipelines que atravessam a região.

A Este do Iraque, temos o Irão que os EUA decidiram incorporar no famoso “Eixo do Mal”, quer pelo seu programa e armas de destruição maciça quer pelo seu regime hostil aos EUA desde a revolução de 1979.

A Oeste do Iraque encontram-se países como a Síria (também faz parte do clube “Eixo do Mal”), Líbano, Autoridade Palestiniana, que desde 1948 estão envolvidos de forma mais ou menos directa, em conflito com Israel.

Mais a Sul temos quer a Arábia Saudita quer o Kuwait que juntos representam das maiores reservas petrolíferas Mundiais, e após analisarmos estas zonas basta reparar que País está no meio disto tudo. Exactamente, é o Iraque.

Porquê a preocupação em intervir no Iraque? Com o 11 de Setembro, deu-se uma mudança de atitude na política externa dos EUA; deixaram de ser a super-potência benevolente do pós-Guerra Fria e adoptaram uma postura mais agressiva, necessária do ponto de vista dos EUA, para evitar ataques semelhantes aos ocorridos em Setembro de 2001.

Ao mesmo tempo perceberam, de que a ameaça aos EUA provinha do Médio Oriente e nesse momento o Iraque (mais propriamente Saddam Hussein) tornou-se um alvo a abater.

Porquê o Iraque? Primeiro porque o Iraque desde a Guerra do Golfo em 1991, e depois com as sanções das Nações Unidas, era um regime extremamente débil e frágil, que nunca iria conseguir resisitir ao gigantesco poderio militar EUA, para não falar incumpridor das resoluções do Conselho das Nações Unidas.

Outra razão está relacionada com o petróleo, e aqui é necessário clarificar e desmistificar muitas das coisas que se têm dito. Foi dito, e redito, nos media de que os EUA iam para o Iraque, para roubar o petróleo. No meu dicionário roubar, significa tirar uma coisa sem a pagar e, a não ser que algum dos leitores conheça ladrões que indemnizam pelos objectos roubados, podemos dizer de que os EUA foram acusados de se estarem a abastecer de petróleo sem o pagar ao povo do Iraque, que deveria ter sido desde sempre, o principal beneficiário dos proveitos deste recurso.

Não concordo com a teoria do “roubo” porque, em primeiro lugar, se os EUA estivessem a abastecer-se gratuitamente no Iraque isso iria ter um reflexo muito negativo nos preços do petróleo, fazendo-o baixar a niveís históricos, já que inundaria o mercado de derivados de petróleo a custos muito baixos. Em segundo lugar, porque não me parece possível que os Países da OPEP, ficassem de braços cruzados, enquanto o principal importador mundial de petróleo estivesse a abastecer-se desta matéria prima sem pagar nada.

Isto, não quer dizer que a questão do petróleo não seja importante, é sim mas de outra forma, pois o petróleo do Iraque permite que os EUA não tenham que gastar do seu próprio dinheiro para pagar a reconstrução do Iraque. Passo a explicar, em vez de os EUA pagarem do seu próprio orçamento a reconstrução de um País devastado quer por bombas, quer pela governação de Saddam Hussein, desta forma ao comprar o petróleo Iraquiano estão a pagar a reconstrução mas também a receber algo em troca.

Outra vantagem, é de o Iraque, por ser atravessado por rios muito extensos, tem também terrenos muito fertéis, apesar de, também existirem planícies desérticas neste País. Desta forma, o Iraque pode ter agricultura, o que também implica menos gastos para os EUA em ajuda humanitária, porque torna-se difícil às pessoas, verem um País como “libertador” se este as faz passar fome, que antes não passavam.

Todas estas condicionantes, assim como o facto de os EUA saberem de que o Iraque não tinha armas de destruição maciça, porque aí nunca teriam iniciado a invasão, tornou o Iraque no alvo perfeito para se tentar uma mudança, na zona onde se formam os movimentos terroristas que são a principal ameaça aos EUA.

O que correu mal foi que, os responsáveis militares e políticos, nunca esperaram que o conflito convencional entre coligação e Iraque fosse tão rápido, mas também nunca esperaram que as forças anti-coligação no Iraque fossem tão fortes como se apresentam.



Publicado por anellos em 12:47 AM | Comentar (0)